Santa Rita de Cássia: uma narrativa de devoção

Imagem de Santa Rita de Cássia segurando a Cruz

Uma mãe que viu os seus dois filhos morrerem após uma doença terminal. Uma mulher que aceitou o chamado divino após o cruel assassinato de seu marido. Uma santa que foi renegada algumas vezes antes de adentrar ao convento.

Margherita de Cássia ou, como você a conhece, Santa Rita de Cássia é uma santa louvada pelo corpo do discipulado católico. Mas quem foi essa mulher? Por que, até hoje, a Santa é aclamada no mundo inteiro? Hoje você vai aprender um pouquinho mais sobre a história da Santa das causas impossíveis. Vem com a gente!

Santa Rita de Cássia com a mão no peito e olhando para a Cruz

Uma vida santa de dor e fé

Santa Rita de Cássia nasceu em 1831 em uma cidadezinha chamada Roccaporena, aos arredores de Assis, a cidade do São Francisco, um dos Santos mais conhecidos pelo corpo católico.

Com o nome de uma flor, Margherita Lotti viveu grandes etapas associadas à vida de uma mulher. Rita foi menina, mulher, esposa, mãe, viúva e religiosa. Mas, vamos por partes, afinal, uma Santa não se faz pronta, é preciso de muito desenvolvimento espiritual e modulações de caráter, e não nos restam dúvidas que os pais de Lotti foram grandes referências para a sua vida sagrada.

Os pais de Rita foram casados por 18 anos sem ter um filho e só o puderam quando pediram a Deus o dom da graça. Então, quando Rita nasceu, a primeira e única filha do casal, desabrochou como Margherita, levando leveza e alegria aos seus pais.

Além disso, os pais de Rita eram os juízes de paz em Roccaporena, uma vez que, até então, não existiam advogados pela cidadezinha. Em outras palavras, os seus pais tinham como missão levar a reconciliação e paz às famílias em momentos de tensão e conflitos.

Obviamente que esses feitos apaziguadores eram levados para casa, portanto, juntamente com os seus familiares, Rita aprendeu desde cedo a ser uma mulher da misericórdia e da reconciliação, esta seria levada ao seu casamento.

Um casamento de conflitos

Por ser filha única, era desejo dos pais que a menina Rita se casasse, então, obedecendo à vontade deles, casou-se muito jovem por meio de um casamento arranjado, contra o seu gosto. Sabe-se que Paolo Ferdinando, o marido de Rita, aportava um caráter extremamente violento e ríspido, principalmente, em suas relações fora de casa, contraindo muitas inimizades.

Durante o casamento, Margherita Lotti e Paolo Ferdinando tiveram gêmeos. Rita manteve-se resiliente e resignada durante o tempo em que esteve casada e, com o seu dom da reconciliação, aos poucos, foi abrandado o marido, até então inflexível.

No entanto, como tudo que fazemos deixa uma mácula na história de nossas vidas, a perversidade de seu marido foi paga com seu asssassinato. De posse da roupa ensanguentada de Ferdinando, Rita tentou escondê-la sem sucesso de seus filhos, pois ambos queriam vingar a morte do pai, no entanto, antes que o pudessem foram acometidos por uma peste e vieram a falecer.

Imagem de Santa Rita de Cássia

A realização de um sonho

Sem seus pais, filhos e marido, Rita se vê sozinha no mundo, mas tem à frente pela primeira vez a possibilidade de realizar o seu grande sonho: o de consagrar-se à vida cristã. Ao chegar ao convento das Agostinianas em Cássia, a viúva é negada devido à mácula deixada pela violência de seu marido e filhos.

Duas vezes negada, Rita clama aos seus santos de devoção e ouve três vezes o seu nome pelas bocas santas de São Nicolau, São Francisco e São João Batista, quando se dá por si está novamente na entrada do convento, no qual é enfim aceita. No entanto, mesmo com tamanha dificuldade dentro do mosteiro, Rita, uma vez conhecida por todos da região, realiza o seu grande sonho.

Para testar a obediência de Santa Rita, a superiora do convento pediu para que ela regasse uma galho seco durante 1 ano e, desse galho, nasceram uvas esplêndidas, comprovando assim a sua paciência e devoção.

É importante perceber que Santa Rita de Cássia não se fez santa quando recebeu o estigma, muito pelo contrário, Rita foi fiel a Deus, aceitando o casamento apesar dos conflitos, aceitando a maternidade e também aceitando a vida consagrada.

Em outras palavras, Rita não precisava ter entrado em um convento para ser santificada, ela já era santa antes mesmo desse feito, o que a torna um grande exemplo de voto em entrega sagrada.

A dor do estigma

Santa Rita de Cássia foi a primeira Santa mulher a receber um estigma, o que nos mostra o quão profunda era a união dela com Cristo. Em uma sexta feira santa, muito sensibilizada com a homilia de um padre sobre as dores de Jesus, Santa Rita, em suas orações pessoais, pediu a Jesus para participar de seu sofrimento.

Assim, de dentro para fora, um espinho da coroa de Cristo foi cravado na cabeça da Santa, abrindo-lhe uma ferida de difícil cicatrização, fechada apenas quando a ela chegou em Roma, mas reaberta tão logo voltara ao mosteiro.

Da chaga purulenta de Santa Rita exalava um cheiro muito forte, o que fazia com que a Santa ficasse afastada das pessoas, podendo orar e jejuar em nome de Deus até a exaustão.

Rosas e figos: o sinal divino

Isolada na torre devido ao seu estigma, nos últimos anos de sua vida, Santa Rita recebeu a visita de uma prima que veio de Roccaporena, levando a pedido da Santa, com muito custo, uma rosa e dois figos.

Segundo a tradição, a rosa e os figos representam a família de Rita. Após a morte dos filhos e do marido, ela sempre pedia em oração um sinal divino da salvação de seus familiares, assim, a rosa simbolizaria o seu marido e os dois frutos, os filhos.

Santa Rita de Cássia segurando e olhando para a Cruz

Uma morte sagrada e um corpo incorruptível

Santa Rita de Cássia morreu aos 76 anos, mas continuou evangelizando. O ponto é que não sabemos se ela foi acometida por alguma doença, a única coisa que sabemos é que, ao fim de sua vida, fez inúmeras penitências e abstinências, o que pode ter corroborado para a sua morte.

Sabe-se, ainda, que no dia em que ela morreu a ferida purulenta, ao invés de exalar o odor característico, desprendeu de um perfume sentido por todos e atraindo muitos fiéis que, até hoje, clamam fortemente à Santa sempre utilizando de alguma simbologia que a remeta, seja uma camiseta da Santa Rita ou um quadro.

No dia do velório, o marceneiro que ficou responsável por realizar o caixão estava com as mãos paralisadas, mas, ao saber da morte de Rita, imediatamente voltou a mover as suas mãos – eis um dos milagres creditados à aventurada, consolidando a sua alcunha de Santa das graças impossíveis.

Um fato curiosos atrelado à sua morte é que, se hoje você for até a Cássia, encontrará o corpo incorrupto da Santa em uma urna, mesmo após o mosteiro ter passado por um incêndio.

Camisetas com estampa de Santa Rita de Cássia

Eis a narrativa de vida da Santa Rita, agora que você já conhece um pouquinho mais sobre a história da Santa das graças impossíveis, que tal compartilhar o nosso post com seus amigos de fé? Aliás, se gostou do conteúdo, não deixe de conferir as nossas publicações semanais aqui no blog.

Até mais!

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